O primeiro sítio do Património Mundial da UNESCO das ilhas

Património Mundial da UNESCO em São Tomé e Príncipe

Em julho de 2026, reunido em Busan, o Comité do Património Mundial da UNESCO inscreveu "As roças de São Tomé e Príncipe: Sistema colonial agrícola e migração forçada" na Lista do Património Mundial. É o primeiro sítio do Património Mundial em todo o arquipélago e protege seis roças históricas, e não um único monumento.

SEIS ROÇAS, UM SÓ SÍTIO

O que foi inscrito

Trata-se de um bem em série, composto por seis roças distintas: quatro em São Tomé e duas no Príncipe.

  • São Tomé: Monte Café, Água Izé, Diogo Vaz e São João.
  • Príncipe: Sundy e Belo Monte.

No conjunto, ocupam 72,9 hectares, com mais 452,4 hectares de zona tampão em seu redor. A UNESCO inscreveu o sítio ao abrigo do critério (iv), que reconhece lugares que constituem um exemplo excecional de um tipo de edifício, de um conjunto ou de uma paisagem ilustrativa de uma etapa significativa da história da humanidade.

Capela perto da Roça Sundy na Ilha do Príncipe
UM MUNDO PRÓPRIO

O que é uma roça

Uma roça não é apenas uma exploração agrícola. É um mundo autónomo, organizado segundo um plano: os terrenos de cultivo, os terreiros de secagem e os edifícios de transformação, as linhas de caminho de ferro de via estreita, o hospital, a capela, as sanzalas onde viviam os trabalhadores e a casa senhorial, erguida num ponto dominante sobre todo o conjunto. Não são ruínas: continuam habitadas por comunidades, e duas delas são hotéis.

Foi com o café que esta história começou, no século XVIII. Algumas décadas depois, o cacau transformou São Tomé e Príncipe num dos maiores produtores mundiais, no início do século XX. Ainda hoje, a arquitetura, o traçado e a paisagem preservam as marcas desse sistema, razão pela qual a UNESCO reconheceu este património.

Locais sentados juntos debaixo de uma árvore em frente à Roca Sundy na Ilha do Príncipe.

A história por trás dela

O título completo desta inscrição inclui a expressão "Migração Forçada", e não é por acaso.

Portugal aboliu a escravatura nos seus territórios no século XIX, mas as roças continuaram em funcionamento. Passaram a sustentar-se no trabalho contratado, trazendo milhares de pessoas de Angola, Moçambique, Cabo Verde e de outras regiões de África para as ilhas, muitas vezes em condições que, na prática, pouco diferiam do trabalho forçado. Muitas delas nunca regressaram aos seus países de origem.

A UNESCO reconheceu as roças precisamente porque mostram, através da sua organização e do seu património construído, como um sistema agroindustrial se organizou em torno desse trabalho para sustentar a produção mundial de matérias-primas. Esta não é uma nota de rodapé na história das ilhas.  É uma parte essencial da história, e os descendentes desses trabalhadores são as comunidades que ainda hoje vivem nas roças e à sua volta.

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BELO MONTE E ROÇA SUNDY

As duas roças ao nosso cuidado

Duas das seis são hotéis da Príncipe Collection.

O Belo Monte é uma roça no alto de uma colina sobre a Praia Banana, restaurada como hotel de 15 quartos e aberta a hóspedes.

A Roça Sundy situa-se no noroeste da ilha e é o lugar onde a expedição de Arthur Eddington, em 1919, recolheu as observações que comprovaram a Teoria Geral da Relatividade de Einstein. Encontra-se atualmente encerrada para um extenso programa de restauro.

As restantes quatro não são nossas, e a inscrição passa a reunir todas as seis num quadro comum de proteção.

Portão fortificado em pedra e campanário ladeados por palmeiras e jardins tropicais no Belo Monte
VIVA-A DE PERTO

Como visitar

Os hóspedes podem percorrer as roças acompanhados por um guia, seguir o cacau da árvore até à tablete na Rota do Cacau e conhecer quem hoje trabalha nestes lugares. Todas as estadias incluem uma experiência guiada por dia.

A Contribuição para Conservação e Comunidades, incluída em todas as reservas, financia o trabalho de conservação e os projetos comunitários nas ilhas.

Guia local a caminhar pela floresta densa da Ilha do Príncipe
UM COMPROMISSO DURADOURO

Cuidar deste património

Ser Património Mundial é mais uma responsabilidade do que um prémio. Para nós, significa restaurar os edifícios com os materiais e os métodos com que foram construídos, empregar e formar pessoas das comunidades vizinhas e contar a história destes lugares com rigor, incluindo as partes difíceis.

Esse trabalho insere-se na Cultura, um dos quatro Cs a que nos comprometemos enquanto membros da The Long Run.

Funcionários na Roça Paciência a trabalhar com cacau
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As roças de São Tomé e Príncipe: perguntas frequentes

O que é uma roça?

Uma roça é uma antiga propriedade agrícola de São Tomé e Príncipe, construída como um povoado autónomo, com edifícios de transformação, habitações, hospital, capela e caminho de ferro próprios. A palavra é um termo próprio destes lugares e não se traduz.

Que roças são Património Mundial da UNESCO?

Seis: Monte Café, Água Izé, Diogo Vaz e São João, em São Tomé, e Sundy e Belo Monte, no Príncipe. Formam um único sítio do Património Mundial, inscrito em julho de 2026.

É possível ficar numa roça Património Mundial da UNESCO?

Sim. O Belo Monte é um hotel da Príncipe Collection e está aberto a hóspedes. A Roça Sundy também é nossa e encontra-se atualmente encerrada para restauro.

Porque foram as roças classificadas como Património Mundial?

Pelo seu valor universal excecional enquanto sistema agroindustrial colonial completo, assente na migração forçada e no trabalho forçado após a abolição da escravatura, e pela produção de café e cacau que moldou as ilhas.